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Setembro de 2010


Jamais diga não
É inevitável comentar a passagem do Natal e o Ano Novo. Sentei para escrever com o firme propósito de não falar sobre isso. Mas a tela do computador onde escrevo desmoraliza qualquer tema preconcebido, porque nela estão todos vocês que leem com algum interesse estes rabiscos me olhando. Chego a sentir algumas reações negativas, um balançar de cabeça, um semblante franzido ou uma aprovação exagerada, quando desenvolvo um raciocínio.
Hoje, tinha pensado em entrar direto na agenda do ano da graça de dois mil e dez, das chuvas torrenciais, do trânsito ameno dos primeiros dias do ano, e a reflexão sobre os engarrafamentos, a Copa do Mundo, o centenário do Corinthians. Mas a recente passagem dessas festas cria um interesse tão grande que os sinos de Belém, as castanhas e as rabanadas ainda permanecem em nossas cabeças, em nossos estômagos e corações. Aí não tem jeito. Entra aquela história de balanço do ano que terminou. As perspectivas do que virá, com previsões bruxosas de acontecimentos delirantes.
Mesmo sem entender qual o motivo que leva algumas pessoas a odiarem a festa de Natal, devo dizer que nunca fui muito fã. Já pensei muito sobre minha frieza em relação a ela e a única descoberta para justificar é que seja muito próxima do meu aniversário, onde diversas vezes ganhei um par de meias, acompanhadas de uma frase mortal: “É de Natal e aniversário”. É forte, mas não explica muito. Porém, a sociedade toda embarca nesse trenó. E não sou eu quem vai desembarcar o mundo do cortejo de São Nicolau.
Portanto, ao desejar um feliz dois mil e dez, com tudo que temos direito, jamais diga não sobre o que escrever, porque o preço pode ser caro demais. Vai do desinteresse do leitor, que é um horror para quem escreve, até a falta de assunto que é a praga dos teimosos.

José Luiz de França Penna
presidente do Centro Cultural Vila Madalena



 
 
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