Meneghetti volta à Vila
Em meados do século passado, a cidade tinha como inimigo público número um o imigrante italiano Gino Amleto Meneghetti, que se tornou famoso assaltando residências na cidade e se gabava de nunca ter roubado de pobres e sempre ter atuado solitariamente. A história deste personagem singular, que assombrou a cidade, é contada no livro “Meneghetti – o gato dos telhados” (Editora Boitempo, 136 páginas), do jornalista e escritor Mouzar Benedito.
O livro teve a pesquisa biográfica daquele que, para muitos, foi o maior ladrão que a cidade abrigou, a cargo de Marcel Gomes e Antonio Biondi. No final da edição, há uma história em quadrinhos criada por Luiz Gê em 1976 para o jornal Versus, que inspirou o curta-metragem de Beto Brant sobre a história de Meneghetti.
Verdadeira lenda viva, Meneghetti fugiu diversas vezes da cadeia. O livro relata sua vida desde Pisa, cidade italiana onde nasceu e iniciou sua carreira criminosa. Passou pela França e voltou à sua cidade, mas a fama de larápio o fez querer imigrar. Uma tia que morava aqui em São Paulo foi o motivo que encontrou para atravessar o Atlântico e tentar uma nova vida. Aqui chegando acabou novamente roubando e as tentativas que fez de levar uma vida comum nunca duraram muito.
Era um ladrão que tinha preferência por joias e costumava deixar bilhetes irônicos em algumas residências que furtava, reclamando da qualidade ou da autenticidade das joias que encontrava. Passou muitos anos preso na Penitenciária do Estado e mesmo assim continuou sua saga criminosa, segundo escreve de uma forma direta e cativante o mineiro de Nova Resende, Mouzar Benedito, que é morador da Vila Madalena.
O lançamento do livro aconteceu no dia 28 de janeiro, na Livraria da Vila da Rua Fradique Coutinho. Por uma dessas coincidências da vida, Gino Meneghetti, então com 92 anos de idade, tentou assaltar a residência onde hoje funciona a parte administrativa da Livraria da Vila. A polícia o surpreendeu e o assalto acabou frustrado e ele, preso novamente. Essa foi sua última ação criminosa, segundo relata Mouzar no livro.
Meneghetti morreu aos 96 anos, pobre e morando na casa do filho na zona Sul da cidade.
Livraria da Vila
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