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Janeiro de 2007


Dois mil e sete = 9
Não sei nada de numerologia. Não me comprometam, portanto. Mas a cada virada de ano sentimos essa necessidade de revisão do ano que finda, como fomos e como foi o mundo, e de prevermos o que virá. E aí os Orixás, os astros, os videntes e a Numerologia ganham força na nossa imaginação. Gosto disso, e como diz o “Fox man blues”: “Essa é a melhor parte”, com um pronunciado sotaque carioca.
Também acho as previsões sobre o ano que entra mais criativas e bem-humoradas que a revisão do que passou, porque é inevitável a revelação do sofrimento vivido e, principalmente, da perda dos entes queridos, ao longo dos trezentos e sessenta e tantos dias que tivemos.
Dias desses, saindo da Pacheco, ali na Wisard, encontrei dois amigos e logo combinamos um café defronte. Eram o Bartô, quem vejo com freqüência, e o Antero, que há muito não via. Eles, muito alegres e eu feliz com o encontro. Pedimos o café e, antes que a xícara chegasse ao balcão, fizeram uma cara de pesar profundo: “Penna do céu. Passou um vento por aqui e levou um monte de gente pro lado de lá. Você soube do Braguinha? E do João Cabeleireiro?”. Interrompi logo, reclamando não ter sido avisado, pois se tratavam de bons amigos meus. E eles, vendo a minha dificuldade com o obituário, pois suponho que houvesse outros, trataram de me confortar dizendo com um ar de sabedoria que o tal vento já estava longe da Vila. Agora imagine no calendário anual o número desses eventos.
Por isso prefiro as previsões onde reinam absolutos “Mãe Diná”, “Robério de Ogum”, “Guaracy Fagundes” e tantos outros. Já me anteciparam que a cor do ano é rosa. E a energia que ela nos traz é de esperança, justiça, união e de amor universal. Parece provocação diante do que estamos vivendo, mas não deixa de dar um certo conforto espiritual. Ainda não estão bem definidos o Orixá e a Astrologia, talvez porque a Numerologia tenha ganhado muita força por este ano, além de terminar em sete, ter sua soma em nove. Pois é. 2007 será regido pela força dos números. E o nove significa fim de um ciclo que começou há nove anos, e começo de outro, portanto. Um tempo de união para enfrentarmos o sofrimento humano. Bem, vocês já devem estar pensando que entendo tudo isso. Qual nada! Foi essa a maneira de desejar-lhes um Feliz Ano Novo, pois do nove só entendo do antiqüíssimo... Noves fora nada.

José Luiz de França Penna
presidente do
Centro Cultural Vila Madalena



 
 
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